domingo, 22 de outubro de 2017

O que sou










Essa ânsia
Que me invade,
Que me domina,
Que me fascina
E me impulsiona.
É minha vontade,
Minha verdade,
O que sou. (Jane)



Avesso

Avesso


O espelho que me vê nua,
Traduzindo-me impunemente,
Assusta-me com sua realidade crua
E, contra minha vontade, zomba da minha vaidade.

Espelho que, em sua franqueza, mostra seu antagonismo.
Espelho que, em sua crueza, torna-se profundo abismo,
No qual despenco, me vejo pelo avesso e me espanto!
E, no lado de cá, eu me escondo dela, num canto.

Diante dela, lá no outro lado,
Onde vive esse avesso de mim, que me fita, emoldurado,
O que me amedronta é que já não sei quem sou.

Em que tempo eu mesma me tornei meu avesso
E que agora já não reconheço
Essa face assim ferida, impunemente corrompida?
Jane Moreira