terça-feira, 26 de setembro de 2017

Avesso




Avesso

O espelho que me vê nua,
Traduzindo-me impunemente,
Assusta-me com sua realidade crua
E, contra minha vontade, zomba da minha vaidade.
Espelho que, em sua franqueza, mostra seu antagonismo.
Espelho que, em sua crueza, torna-se profundo abismo,
No qual despenco, me vejo pelo avesso e me espanto!
E, no lado de cá, eu me escondo dela, num canto.
Diante dela, lá no outro lado,
Onde vive esse avesso de mim, que me fita, emoldurado,
O que me amedronta é que já não sei quem sou.
Em que tempo eu mesma me tornei meu avesso
E que agora já não reconheço
Essa face assim ferida, impunemente corrompida?

Jane Moreira


Tão Perto, Tão Longe... (indriso)







Tão perto, tão longe


Quisera ser o seu tudo, quisera!
Sua palavra e seu silêncio.
Sua razão e sua emoção, quimera!

Quisera ser o seu pensamento, quisera!
O seu sentimento, o seu alento
E a sua atenção, quem dera!

Quisera ser sua poesia em forma de emoção. Pudera!

Quisera ser seu sonho, sua cúmplice e sua paixão. Fantasia mera!

Jane Moreira