sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A dança da solidão






Anoitece. O céu escurece...
Nuvens surgem mais escuras
E escura está minha mente

A plantação, já ciente,
Alegra-se com a chegada da cura:
A água de que estava carente.

 E, dançando para essa plateia,
É quando tenho a ideia
De fazer par com o espantalho

E a música vem da algazarra
Que fazem as aves ao léu
Ao longe, o som de uma guitarra...

Não importa a companhia bizarra,
Não importam as nuvens no céu
Nem o par que em mim se esbarra.

Penso na minha sede de viver
E na fome de vida, anseio de alegria
Meu grito se perde em meio à cantoria

E fica ecoando no ar, em meio aos trovões,
Aos pássaros, sem pudor, meu triste clamor!
Que emana da dança, de de meu bizarro par, de minha dor.

Jane Moreira



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