domingo, 16 de outubro de 2016

Silêncio!







Silêncio!

Calem-se os pensamentos! Quero ouvir
A voz do silêncio e da consciência.
E, depois, encher minha alma com o som
Do nada e do tudo que o silêncio me traz.

Jane Moreira




Desejo






Desejo


O teu desejo inflama o meu desejo,
Como se fosse a luz que dissolve o medo.
E, pela força que vem do teu sopro benfazejo,
Transformo-me na onda que atinge o rochedo.

Se me queres, como a lança dos transgressores,
Se me chamas com toda a força do trovão,
Eu te sigo pelas noites delirantes, sem pudores,
Com a fé dos que não procuram a razão.

Sou a força exacerbada pela força do teu grito,
Sou a frágil delicadeza que te alcança
E contigo se transforma, rompendo o infinito.

E somos chamas que se consomem lentamente,
E exorcizadas cascatas que docemente se lançam
Somos, eu e tu, brisa e vento, calor e sentimento.

Jane Moreira



Porão Insano




Porão insano

Esse frio e essa escuridão,

São a "mood" desse porão.

São cheiros, aromas, perpetuados

Desde tempos atrás, dos bêbados inveterados,
Dos poetas em ebulição...do sândalo
Aqui encravado...perfumado...
Bebamos o vinho dos escândalos,
Sorvamos cada gole, brindando a Baco:
Evoé, Baco, como o Poeta,
Que queria ir para Pasárgada...
Este porão, insano,
Sinistro e revelador,
É onde o aroma do sândalo
Invade o adentror,
Que se farta de absinto,
A fée verte de Baudelaire...
Evoé, companheiros de jornada!



Jane Moreira


Rascunho


Flores no ar (indriso)




Flores no ar



Sinto como um dejavu, um chamado,
que vem da terra, ou do Universo...
Um perfume meu conhecido...


Algo que sei que é do passado,
Um perfume da flor que chama o verso
E que faz desabrochar o poeta adormecido.



Pássaros, borboletas, perfumes e flores...


No ar e na terra, chamando os amores...



Jane Moreira