sexta-feira, 19 de abril de 2013

Racionalizando...




Racionalizando...


Na volta da vida
Revés da ação
Descompasso

Na paixão que tenta
Abismo e loucura
Descompensa

No auge da ira fria
Cabeça vazia
Não pensa.

Jane Moreira


Disparidade


Mote:

'Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho
ímpar.''

Carlos Drummond de Andrade







Disparidade

Quantas ilusões eu tecia,
Impregnadas de perfumes,
Vivendo a vida de fantasia...


Momentos de pura emoção senti,
Inimagináveis cenas de ciúmes
Sem compreender, muito sofri


E, no abismo das voláteis ilusões, percebi, tarde demais,


Que as pessoas não são todas iguais.



Jane Moreira







Arrebatamento


Mote:... No drama do crepúsculo eu escutava atento
A surdina da tarde ao sol, que morre lento.
Castro Alves






Arrebatamento

O sol se põe, 

alaranjando o horizonte...
Nem um som, nem um movimento,
Somente a suavidade 

do perfume que traz o vento.

Pássaros anoitecem nesse hiato 

Entre o dia e a noite.
Neste prenúncio, 

A paz se impõe por um momento,
Invadindo meu ser, 

nesse assombroso envolvimento.

É do dia, 

Já saudoso lamento,
É da noite

 Imperativo nascimento,
É da minha alma

 Sublime arrebatamento...

É o teatro da Natureza, 

Gratuito espetáculo,
Promovendo encontros 

De olhos e astros
E das estrelas 

Que deixam seus rastros...

Jane Moreira






Ao som do silêncio (indriso)


MOTE:

NOTURNO
(Antero de Quental)




Ao som do silêncio

Ao som do silêncio, a tortura de cruéis lembranças
E a solidão, abismo da criatura,
Deixaram-me refém da desesperança

E a noite caiu, como negro véu que tudo escondia,
Nem lua, nem estrelas no céu hostil; nenhum som se ouvia.
E a noite, cúmplice do desespero, sobre mim se abateu.

Só o som do silêncio e a falta de cores

E o soluço que rasgou o silêncio e derramou minhas dores.


Jane Moreira






Interrogação












Interrogação

Não sei se sou a brisa suave,
Ou se sou o vento cortante.
Não sei se sou a lua que encanta,
Ou se sou o sol que esquenta.

Não sei se sou a fada que concede,
Ou se sou o duende que engana,
Posso ser a melodia que acalenta,
Ou a lágrima que escorre lenta...

Não sei se sou a verdade que esclarece,
Ou se sou a mentira que seduz.
Posso ser a treva que tudo esconde,
Ou a alegria em forma de luz...

Jane Moreira