terça-feira, 5 de março de 2013

Vivendo e aprendendo

Mote:
"À noite, pedi a um velho sábio
que me contasse todos os segredos do universo. 
Ele murmurou lentamente em meu ouvido:
-Isto não se pode dizer, isto se aprende." 
Rumi





Vivendo e Aprendendo

Aprendi que aquele intenso brilho,
refletido em cada olhar  acolhedor,
transpõe o espaço, sem empecilho,
e vem das estrelas, seu condutor.

E o segredo desse fulgor
é a chama de todo amor.

Aprendi que a luz prateada que vem do luar,
refletida em cada rosto, é antiga...
Vem de longe a nos acompanhar.
É luz que espera e segredos abriga.

E almas amigas, amantes, acolhe.
E nossos medos e culpas recolhe.

Aprendi que a força cósmica que nos rege,
Mãe ou Pai, Força maior  a nos guiar,
é companheira de séculos atrás e nos protege.
E, neste mundo ou em outro, nos faz encontrar.

Nos intervalos de cada viagem,
vai guardando nossa bagagem.

Entendi
que, na infinita imensidão,
são tantos os insondáveis segredos
e que os acertos, fracassos e medos,
nas vidas que já vivi, ou nos tempos de solidão,
são os degraus da escada da evolução.

Jane Moreira












Esperança



MOTE:
"O coração é uma
riqueza que não se
vende nem se compra.
Presenteia-se."

Gustave Flaubert,







Esperança

Preciso de um coração
Que bata forte, destemido.
Que possa sentir paixão,
Mas nunca por ela vencido.

Que venha com a certeza
De ser fiel na alegria
E sempre leal na tristeza.
Sem barganhas ou hipocrisia.

Pode ter sido usado,
Sofrido por outro alguém;
Até mesmo desprezado,
Mas não seja da dor um refém.

Não demore tanto, porém,
Pois já é longa minha espera
Isso é o que viva me mantém
E dos males é o que me libera.


Jane Moreira





Pai




Pai

Ele chegou sorridente,
Já trazia a alma em festa.
Entrou no berçário, contente
E apontou: minha filha é esta.
E foi assim nosso primeiro encontro
E nosso primeiro grande presente.
Um dia, dar-se-á nosso reencontro,
Numa nova condição permanente.
E presente, ainda em minha vida,
Aquele que foi responsabilidade
E que ficou depois de sua partida...
Ele partiu ainda na flor da idade,
Aos sessenta e eu, ainda hoje, aturdida,
Pela infinita dor da saudade.


Jane Moreira