sábado, 11 de novembro de 2017

Desejos






Desejos

Desejo
o colorido do amanhecer
e a plena alegria de viver;

Desejo
o milagre do nascimento
e a doçura de um sentimento;

Desejo
a sabedoria de quem envelheceu
e a beleza do que floresceu;

Jane Moreira



Quando as almas se entendem









Quando as almas se entendem

Coisa rara é
o entendimento
das almas:

Quando é perfeito
o comprometimento...

Quando é intenso
o entrosamento...

Quando, às vezes,
não é preciso falar...

Quando, muitas vezes,
basta um olhar...

Coisa rara que acontece,
quando almas se reconhecem.

Jane Moreira


terça-feira, 7 de novembro de 2017

Teus olhos










Olhos profundos, que transpiram beleza
Poderoso mar de ondas verdes a dançar
Ondas mansas, transpirando delicadeza,
Onde me encontro ao neles mergulhar

Olhos leais, magnéticos,
Olhar que sempre me conduz
Verdes olhos profundos, poéticos,
Teus olhos a verterem luz...

Teus olhos sinceros, amorosos
Sempre derramando alegria e gentileza
Mesmo quando são misteriosos...

Se estou alegre ou não, com sutileza,
Eu me abrigo nessas ondas milagrosas,
Porque são elas que me dão a fortaleza.


Jane Moreira



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Desencontro






Desencontro

É nos sonhos que encontro
Quem, na vida, é meu desencontro

E que, sonhando, reencontro

É nos enganos que me dano
Errar é humano

Enganar é leviano.

No silêncio, meu alento,
Meus sonhos alimento

E depois, os afugento.

Neste círculo vicioso
De sonho venenoso,

Acordar é doloroso

E, de tanto sonhar
E de me enganar,

Até me exaustar,

Paro e penso:
Se o desengano é intenso

Meu bom senso é imenso

Nesse intento...
Tudo o que agora tento

É cobrir de azul esse dia cinzento...


Jane Moreira




domingo, 5 de novembro de 2017

De segredos e medos






De Segredos e Medos
Dogmáticos mistérios que resultaram em medo
Por zeladores de uma farsa tramada na hipocrisia.
Por trás de grossas cortinas eram forjados segredos,
Transformando antigos enredos em fantasia.

Quando o poder conquistado se impõe totalmente
E a crença comum é verdade estabelecida,
Quem ousará abrir essas cortinas silentes
E descerrar o véu que oculta a mentira urdida?

Por séculos, o ponto vital foi cercado de mistérios
E poderosos mistérios povoaram o imaginário.
Guardado sempre o segredo, em mãos de impérios.

Não há quem desmascare venerado segredo,
Envolto em mistério, em pompas e circunstâncias,
Que logo se tornou a porta do medo.
Jane Moreira




Como ainda é





Como ainda é

Como se fosse hoje,
O livro sobre a mesa
As rosas, que delicadeza!

O tempo no relógio marcando
Momentos felizes de outrora
Será que ainda é tempo, agora?


Vamos ludibriar o tempo revivendo os belos tempos,

Não mais como se fosse, mas como ainda é?

Jane Moreira




domingo, 22 de outubro de 2017

O que sou










Essa ânsia
Que me invade,
Que me domina,
Que me fascina
E me impulsiona.
É minha vontade,
Minha verdade,
O que sou. (Jane)



Omnia in Uno

Omnia in uno

Vivo no espaço, levito nas nebulosas
e recebo o brilho das estrelas...
Navego no rio de prata da Via Láctea,
que vigia o luar, que vigia o poeta...

Vivo no mar, mixando-me às ondas ruidosas.
E, na Terra, sou a flor, que abriga o orvalho
que cai e me faz de abrigo.
Sou anjo que socorre,
sou poesia que, de nossas veias, escorre;
sou semente que germina,
broto que nasce, fruto que alimenta.

Abraço a vida de mãos dadas com a alegria.
E, se no mar, no ar, na terra estou,
minha vida nunca é vazia.
Eu me entrelaço com a alegria.

Não devo chorar. Para que?
Se estou também na chuva
e ela chora por mim....
Se tudo é perfeito, se não existe defeito,
se quando a folha que cai, no outono,
é para vestir-se de ouro...

E sou verão aquecendo-me de euforia
e sou primavera, renascendo com as flores
e sou inverno, invernando-me contente,
pisando a neve fria, que guarda vida latente.


Sou o vento que corre nos campos,
noite que abriga o luar,
o canto de todo o encanto...
E sou floresta que abriga o pássaro,
que foge da cobra, que foge do homem...

Sou a brisa que beija o mar,
que recebe o rio, que supera obstáculos,
que forma a cachoeira, que canta e encanta...
Sou a nuvem que passa na madrugada fria,
que chama o dia, que chama a noite...

Sou a chuva fraca e poética, que cai sobre os montes,
que repartem a água que nos vales cai.
E sou a chuva violenta, que atiça o vento,
que lava o pecado e limpa o ar,
restaurando o equilíbrio.
No todo, estou e sou... Sou todos no todo.... Sou um no Uno.
Somos todos omnia in uno
Sou uma letra num verso do imensurável poema do Universo.

Jane Moreira.

sábado, 21 de outubro de 2017

Perfume da paixão











Perfume da Paixão

Ouvia-se o farfalhar dos lençóis
e a sinfonia da cumplicidade.
Despiam-se sussurros
e os mil sóis em luminosidade ...

Sentia-se a lucidez do silêncio
invadir o quarto por inteiro
Onde queimava num canto um incenso
perfumando esse amor - primeiro

Ardia-se a paixão em toques
tão delicados, qual plumas,
flutuando além dos bosques.

Sussurros perdiam-se por entre a bruma
e, na madrugada tão fria e calma,
os amantes despiam suas almas.


Jane Moreira




Cultivando a flor



Cultivando a flor


Perfume das flores, perfume do mar
Por que essa dor a me machucar,
Se lá fora tem calor e sol a brilhar?


Primavera das cores e da pureza do ar!
Dentro de mim, noite escura e o pesar
Flores e cores abundam, aroma sutil a exalar


Lá fora, pessoas cultivam a flor e eu cultivo a dor.


Bastaria uma palavra e eu me vestiria de flor.


Jane Moreira



Espelho




Quem sou eu que me vejo refletida
E não sei o que vejo do outro lado?
Serei metade, ou inteira adormecida,
Que não entendo, ou entendo errado?


Serei eu mesma, aquela que não compreendo?
Será o reflexo o real mentor de minha entidade?
E, até que alguma luz em mim se acenda,
Como ser eu mesma, se uma outra se diz verdade?


E, no piscar do tempo, na corrida das horas,
Vou seguir, sem o espelho, amigo ou inimigo,
Com ou sem o desejado clarão, a luz reveladora.


E, me fazendo só uma, a criatura e seu reflexo,
Face que vejo e que do outro lado me intriga,
Vou em frente com meu reflexo, um ser sem nexo.

 Jane Moreira


sábado, 14 de outubro de 2017

Poesia morta







Poesia morta

Versos caíam ao chão.
Minha poesia encharcada
Caída da minha mão...

Morreu minha poesia
E morreu naquele dia
Pelo sol iluminada

Restou somente a saudade

Do que fora minha verdade


Jane Moreira


Vergonha






Vergonha

Tenho vergonha de me mostrar
Como sou e penso por inteiro.
Não vou revelar m
eu eu verdadeiro.


Não me exijas,
Não me descomponhas,
Não me deixes nua.

Se a culpa foi tua, não me exponhas!

Não vou me mostrar!

Jane Moreira



Tristeza





Tristeza

Não quero mais festas
Nem mais serestas
O silêncio é o que me resta

Não quero meus versos.
Agora inversos.
em versos diversos...

Estou sozinha,
Com minhas recordações...


Jane Moreira


Refletores apagados








Refletores apagados

É hora de refletir...
Amigos se foram.
Galanteios, nunca mais.

Ela prende os cabelos,
Não mais espelhos,
Jogou fora o batom.

Contempla os jovens a cantar e dançar

E sente sua juventude a lhe afrontar.


Jane Moreira




O amor é coragem

Mote:

Discípulo: Mestre, amar é demonstração de fraqueza?

Mestre: Não. É um ato de coragem.




O amor é coragem

Se estou aqui a te prometer
Minha vida, meus pensamentos;
Se não sei se vais me ouvir,
Se vais me querer, como eu te quero;

Se meu eu está abalado, conturbado,
Na humildade, na fragilidade
Do amor corajoso, intenso e poderoso...
É porque ele me dá coragem.

É a força que me anima,
Que me impulsiona e sublima,
Que faz cada palavra, cada gesto,
Sair de mim e encontrar você;

Capaz de me deixar à mercê
De um golpe de protesto,
Ou de ternura, um lindo gesto.
Corajosa me faço e me entrego...


Jane Moreira



Caminhada da vida





Caminhada da vida



Caminho sempre em frente
Obediente, paciente,

Eu vou sem pressa...
Às vezes depressa...

Eu me assumo
Sou sem rumo

Sem norte,
Sem passaporte.

Chego à encruzilhada...
A freada, já pensada...


E, nessa empreitada, na madrugada,
Olho para o céu dessa estrada.

É a noite morrendo, o dia nascendo,
E eu só escolhendo... E encolhendo...

Jane Moreira



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dos porquês das emoções





Por causa do amor,
O poeta surgiu.
E, um dia,
Se apaixonou.
Por causa da flor,
sorriu,
Por causa da dor,
Chorou.
Se amar é o ensejo,
Um poema se fez.
Surgiu o desejo,
Um verso ganhou.
No encanto da flor,
Ganhou mais porquês.
E um dia, pela dor,
O amor rimou...
E do desejo, ilusão e emoção,
a inspiração...
Das Rosas rubras,
Dos versos de hoje
E de outrora,
Formou-se a poesia,
Que é mais que uma paixão.
E, na paixão
Que maltrata e revigora,
Fez-se o mistério
da mais pura emoção
Que é, do poeta,
dona, amante e senhora.








Cavalgando na noite







Cavalgando na noite

Danço na areia ainda quente da praia deserta,
E saio em busca do final da estrada sem fim
Brinco com as nuvens, sentindo a alma liberta
E viajo por entre constelações, vestida de cetim

Montada no alazão da noite enluarada,
Afrodite sou, pura beleza, na minha travessia...
E sou Artêmis na minha coragem encantada,
Caçando estrelas na estrada da branca via

Entro em galáxias, varo a escuridão,
Piso no branco bordado da láctea joalheria
E cavalgo no espaço, numa outra dimensão.

Entre o breu e a claridade, em perfeita sintonia,
Apeio do alazão da noite, despertando da ilusão.
Ao romper da aurora, rompe-se também a fantasia...

Jane Moreira




domingo, 8 de outubro de 2017

Vou festejar...


Vou festejar...
Agora, ou em qualquer ocasião,
no chão ou nas alturas,
todas essas escrituras
da minha imaginação.

Porque posso ter em minha mão
o lápis e o papel,
vou festejar a imaginação
que me cai lá do céu.

Vou compor esculturas,
e esculpir meus versos,
pintar, em noites de fantasia,
meus passeios pelo céu.
Festejando a alegria...

Componho minhas fantasias
quando erro sozinha ao léu.
Esculpo, em noites sombrias,
blocos cobertos com véu.
E, por isso, vou festejar...

Se minha escultura
sai de um bloco qualquer
e se revela
maravilhosa escritura,
vou festejar..

Se minha pintura,
em aquarela,
se revela
arte bela,
vou festejar...

Se nos versos que componho,
estão as formas que sonho,
se as noites de luar
me inspiram a compor,

então, vou sempre festejar!

Jane Moreira