segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Acróstico subliminar








“...Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza...’
(Chico Buarque - Acróstico subliminar de Todo Sentimento)


DEPOIS de tanto esperar reviver nosso encontro, quero, agora, esquecer
DE tudo o que sonhamos juntos, do que tentamos, do que quisemos, há tempos atrás...
TE quis com medo e com paixão, mas, lamento, não sei se hei de sempre te querer.
PERDER –me em teu carinho foi sempre tudo que eu quis, sinto que, agora, não mais...
TE imaginei no quarto, ao pé da cama, nas cartas que me escrevestes, nas flores do jardim...
ENCONTRO numa carta, num poema, um pouco daquele amor que deixastes para mim,
COM as mãos não mais trêmulas, coração em seu compasso. Então, parece que terei jamais
CERTEZA do que fomos, do que juramos, do que esquecestes, do que acabou assim.
TALVEZ, de agora em diante, eu te veja diferente, sem paixão, sem desejos, sem camisolas de cetim...
NUM dia qualquer, numa noite sem luar, numa madrugada fria, num tempo de não mais...
TEMPO demais já esperei te encontrar, que já nem sei se lembrar será bom ou ruim:
DA janela do meu quarto, ao pé da cama, ou naquela sua poesia, que um dia, foi só...
DELICADEZA




Acróstico subliminar






A Natureza é bela e feia, bondosa e cruel...
BELEZA tem o mar, as matas, as flores.
É belo o amanhecer... triste, o entardecer,
A beleza se derrama nas luzes e cores...
ÚNICA no esplendor do vento feroz, da chuva e do mar
VERDADE é, que existe a contrapartida:
DO vulcão, do sismo, da secura e aridez
POEMA natureza que se resume em luzes e cores, fartura e escassez

Jane Moreira



Minha escolha (indriso)






Minha escolha




Seguindo a luz do amor e da verdade,
Escolhi, na encruzilhada da vida, a minha estrada,
Que sigo sem medo, com fé e dignidade


Encontro amigos nesta nova jornada,
A paz e a tão sonhada liberdade;
Meu mundo com justiça e sem grade.


Não enfrento falsidade, nem mesmo inimizade;

No fim desta estrada, alcançarei a luz da verdade...

Jane Moreira


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Acróstico subliminar









Acróstico Subliminar

Sobre o luar derramado na areia
Nós dois pisávamos e deixávamos nossos rastros
Só a lua solitária que parecia estar alheia
Me prateava, celebrando o espetáculo dos astros
Restou hoje a certeza de que aquela lua cheia
Escrever não podia; porém, tecia, em mimosos traços,
Uma chuva de estrelas formando, na luminosa teia,
Palavra (s) bordadas em que, entre outras, se destacava...
Saudade...

Jane Moreira


Então, a rosa



Então, a rosa

E a rosa, abandonada, sobre um livro já lido e relido
Vai murchando, sem afagos e cuidados
Como se o amor que, um dia, tivesse sentido
Não encontrasse eco num coração endurecido.


Jane Moreira



A rosa




A rosa

O poeta já dizia que a rosa é uma rosa, uma rosa, uma rosa...
Dentre todas, no jardim da vida, ela é a mais formosa.
Seu perfume tão sutil, sua postura de rainha
Emprestam ao poeta um vislumbre de inspiração.

Digo que a tenho na verve da poesia e da prosa:
Amor e paixão, ao vento, gritando dengosa,
Sinto que ela é só rosa; não é tua e nem é minha
É a rosa de ninguém, neste livro jaz inerte, sem razão...

Caro poeta, teu livro permanece, mas a rosa,
Assim arrancada, assassinada, não mais poderosa,
Hoje perdeu a graça e a beleza, morta e sozinha...

A rosa é a flor preferida, enaltecida, maravilhosa.
Não a toques, se não for para acaricia-la, a preciosa!
Ela é rainha, nem tua, nem minha, não é uma erva daninha.


Jane Moreira




sábado, 5 de agosto de 2017

Acróstico subliminar


Acróstico Subliminar




Me dei o direito de rebelar-me, de parar o tempo:
Permito que nuvens escuras se cheguem, esquecendo o tormento...
Sonhar é preciso, amar é imperioso, dialogar é sempre o momento,
Com nuvens claras, escuras, raios e trovões; com a madrugada.
Um momento de paz em meio a tantas emoções represadas.
Mundo hostil, em que a noite esconde o mal e o ressentimento,
Regado a tristes enredos, decepções, violência, tristeza, o medo.
Por instantes, nos abraçamos e a lua, que se insinua, afasta o vento.
Gentilezas, abraços, alegria e amor são trocados, em catarse, em segredo...

Jane Moreira



Fantasia






Um soneto livre

Fantasia

Vesti-me de fada, para mim, factível
Visitei meus jardins que antes eram segredo
Sonhei com o encantamento impossível,
Que realizei sem pudores, meu ideal, sem medo.

Eu, fada, no mundo de leveza e paz,
Abracei o amor e, em seu calor, me aqueci;
Beijei a brisa com todo o ardor de que sou capaz
E me saciei a cada gota de orvalho que sorvi.

E veio o sol que expulsou a noite e meu sonho,
A fada, jardins, amor ficam mais e mais distantes
E eu esqueço a delicadeza e me recomponho

Se eu puder capturar a madrugada, por um instante,
Faço o tempo parar e minha fantasia a todos exponho
E decreto que o mundo valerá a pena de agora em diante...


Jane Moreira









sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Nostalgia (indriso)





Nostalgia

Encontrei uma concha perdida,
Entre grãos de areia e a espuma do mar:
A concha tão triste como a saudade mais doída.

A lua, naquela noite, era só um pedacinho
E não iluminava como antes meu caminho.
Eu, menina que fui, nos rochedos a brincar...

E Netuno se vestiu de maestro e conduziu a orquestra

Das ondas que entoaram o mais lindo hino de amor.


Jane Moreira





A dança da solidão






Anoitece. O céu escurece...
Nuvens surgem mais escuras
E escura está minha mente

A plantação, já ciente,
Alegra-se com a chegada da cura:
A água de que estava carente.

 E, dançando para essa plateia,
É quando tenho a ideia
De dançar com o espantalho

E a música vem da algazarra
Que fazem as aves ao léu
Ao longe, o som de uma guitarra...

Não importa a companhia bizarra,
Não importam as nuvens no céu
Nem o par que em mim se esbarra.

Minha sede é outra, minha fome é maior
Fome de amor, sede de vida, anseio de alegria
Meu grito se perde em meio à cantoria

E fica ecoando no ar, em meio aos trovões,
Aos pássaros, sem pudor, meu triste clamor!
Que emana da dança, de meu par, de minha dor.

Jane Moreira



sábado, 29 de julho de 2017

Poeta








Poeta


É um homem sem adornos, sem senões,
Natural, sem disfarces, íntegro em suas convicções

Pactua-se com as palavras, que bebe com sofreguidão
E investe no sabor da sabedoria, sua melhor iguaria.

Ele não é comum e da mediocridade faz jejum.
E vomita tudo o que não lhe agrada.

Por vezes sarcástico, por vezes, sentimental,
A ironia escancarada lhe é prato natural...

E o que lhe importa é verdade ou segredo.
Muitas vezes doa ternura, que expõe sem medo.

Numa avezinha abandonada, que alimenta com doçura,
Em forma de cuidados e afagos, doando-se à criatura.

Ou na poesia que pelos poros respinga,
Como gotas de orvalho que caem sobre a flor

Delicados versos sucedem doídas explosões poéticas,
Na beleza da verve que alimenta sua fome na alegria e na dor.


Jane Moreira

Esta foi para meu primo Poeta Ulysses. 



terça-feira, 11 de julho de 2017

Como se fosse






COMO SE FOSSE

Como se fosse ostra, tinha a alma fechada
Como se fosse mágica, a ostra se abriu
Como se fosse, do destino, uma guinada,
Como se fosse pérola, o amor surgiu.


Como se fosse a noite atravessando o dia,
Como se fosse milagre o nascer do sol,
Como se fosse insólito, fiz a travessia
E o crepúsculo da alma tornou-se arrebol.

E enquanto existirem a noite e o dia,
E a vida superar a morte,
E o sol for o guia e a lua for a poesia,

Nós dois iremos seguir nosso Norte,
Para, juntos, saudarmos o rouxinol e a cotovia,
Como se fosse nosso caminho, nossa sorte...


Jane Moreira




terça-feira, 20 de junho de 2017

À Procura de mim...




À Procura de mim...



MOTE:
Por tanto amor, por tanta emoção,
A vida me fez assim: doce ou atroz,
Manso ou feroz, eu, caçador de mim...


Milton Nascimento








Eu me procurei
Nas ruas desertas
Nas praias repletas
Nos rostos infantis
Nas cores primaveris

Andei pelas ruas movimentadas
Em meio às pessoas apressadas
Pelos campos floridos
Entre rostos desconhecidos

E me vi retratada
Nos pontos distantes,
Nos mares ondulantes
Nas matas verdejantes

E me senti parte do céu brilhante
Da gente passante,
Da flor brotando, nos campos floridos
E do ser apressado, meu desconhecido

E percebi que sou criança, ainda,
Espírito jovem, aprendiz,
Que nunca deslinda
O mistério do ser e das paixões febris.

Jane Moreira





sábado, 5 de novembro de 2016

Lágrimas





Lágrimas

Minhas lágrimas que transbordam,
como ondas bravias, reluzentes,
São como o chamamento do mar....

Cabeleira ondulante, ponto de partida,
que dos meus  olhos brotam,
ardem e,  invadindo minha face, rolam..

Rolam na face, como se rolassem nas pedras...

Ponto de partida das emoções represadas.


Jane Moreira




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Pobre irmão



Um tributo aos nossos irmãos refugiados, milhões que,
desamparados, esperam acolhida em outras terras.

Pobre irmão...


O nosso irmão
Sobrevivente das guerras,
Sofre horror desumano,
Lá longe naquelas terras...

Ele procura alimento,
Faminto, foge do fogo.
Morre de fome e sedento.
Ele não joga o jogo...

O jogo dos poderosos,
Fomentadores das guerras...
É questão inaceitável,
Sua sorte abominável,

Por crime odiento e nefando,
Sua morte em vida execrável:
Vão morrendo, ou minguando
Sua triste sina esperando...

Sua pátria abandonando
Compaixão de outras terras esperando
Só tristeza e morte no caminho
Nunca um gesto de carinho....

Jane Moreira





Glosa de Trovas







Glosa de Trovas

Nesta noite eu quero tanto
Do luar o encantamento
E de estrelas lindo manto
E da terra os elementos


Nesta noite eu quero tanto
Exibir os meus talentos.
E para teu grande espanto,
Reviver nossos momentos.

Quero da brisa o acalanto,
Do luar os encantamentos.
Não quero lembrar do pranto,
E chega de sofrimentos.

Depois do amor, virá o nosso encanto,
Sons da noite, chamamentos.
E, de estrelas, lindo manto,
Cobrirá os sonolentos.


E assim eu sinto que me agiganto
E vamos juntos cavalgando nos ventos,

Ouvindo um canto tão santo,
E, da terra, os elementos.

Jane Moreira




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Ocaso da bailarina


Ocaso da bailarina

Em lindos palcos dançou...
E dançou com muitos parceiros.
Ganhou flores e dinheiro,
jóias e viagens ganhou...
Um dia, pelas voltas do destino,
dançando, foi ao chão.
Não houve mais flores...
Só dores e desilusão.

E no ocaso da bailarina,
sem a purpurina,
ficou só a lembrança,
uma rosa e ecos da dança...
E como se fosse menina,
na platéia inexistente,
vestida de cor-de rosa, dança somente
para a rosa  que ela mesma colheu...

Jane Moreira